Nos últimos dias, alguns fatos ligados ao judiciário têm tornado muito interessante a evolução da história do Brasil, dos políticos de ocasião e da república. As ruas continuam cheias de gente dormindo pelas calçadas. Os tributos aumentam e continuam aumentando.
As notícias não são otimistas. A violência está se estabelecendo com plena vantagem sobre o mundo da licitude. As instituições hibernam, em um sono profundo de encantamento principesco e prêmios carnavalescos aos seus membros. A única certeza é que Garrincha continua mais atual do que nunca, especialmente na república dos acordos e conchavos.
A lenda diz que, na preleção para o jogo do Brasil contra a União Soviética na Copa de 1958, o técnico Vicente Feola emendou uma interminável série de recomendações sobre quem marcava quem, quem recuava para que o outro avançasse, quem cruzava, quem recebia, etc. Na prancheta, tudo parecia solucionado. Foi quando Garrincha, com seu jeito de ingênua malandragem, teria feito a pergunta que virou lenda: “O senhor combinou com os russos?”.
Dito e feito, alguém combinou com a imprensa? Tudo parecia um campeonato perfeito e ganhos, mas tem aqueles telefones celulares, aqueles números, aquele jagunço e o dinheiro. A origem portuguesa e a tradição da burocracia francesa e da corrupção italiana, sempre seremos latinos. Seguimos os dias e esperando pelos próximos carnavais.
Carlos Simão Nimer, Rio Preto
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