No domingo, dia 16 de novembro de 2025, debaixo do Viaduto Jordão Reis, realizou-se, mais uma vez e de forma incansável, o POP RUA JUD, e, para quem não conhece um movimento de inúmeras parcerias e elaborado por diversas mãos e muitos corações. Naquele local, os moradores de rua, a população em situação de rua tem acesso a pequenos gestos humanos e de dignidade minimamente concreta.
Não se trata, apenas, de comida, mas também de oportunidade, de continuidade, chances de emprego e de fugas das incontáveis cadeias do vício, da prostituição, do crime e da ausência de higiene e saúde. Não se trata de questão ideológica ou política, e, muito menos de discussão sobre o poder, o mando, o destino ou a origem da miséria humana, se trata de solidariedade.
Contrariando o velho legado colonial, patrimonialista e patriarcal não se buscam os “culpados”, mas a oportunidade, o diálogo e a interação com o mundo do possível, da esperança e da fé e os esquecidos e os invisíveis. O poder e os poderosos de ocasião não têm espaço.Naquele microcosmo de instituições pacíficas e despreocupadas em eleger quais serão os mais necessitados, reconhecem-se os seres humanos, igualam-se os sonhos de um mundo mais justo e possível.
Caminha-se entre uma série de mesas,diversos serviços públicos e privados, bem como se percebe a fortaleza de uma sociedade que cresce independente de patrocínio privado ou estatal e longe dos holofotes das televisões e jornais, mais uma vez ausentes. O sentido da solidariedade é muito maior que o discurso oficial federal, estadual e municipal.
De modo lamentável, o poder público, ainda, padece em silêncio, oculto e pouco comprometido. Talvez, o poder público, esteja procurando um responsável pela estranha, confortável e desigual distribuição de renda.
Defronte dos locais de banho e limpeza, reza-se a missa e lentamente seguimos em paz, pois muito se fez em silêncio.
CARLOS SIMÃO NIMER
Fonte: Diário da Região – Coluna Opinião – 23/11/2025