Pejotização, STF e TRT-15: o que o MEI precisa saber para não perder direitos trabalhistas

A pejotização tem se tornado cada vez mais comum no mercado de trabalho brasileiro, principalmente com o crescimento do número de Microempreendedores Individuais (MEI).

Mas afinal: essa prática é legal? E quando ela pode fazer o trabalhador perder direitos?

Neste artigo, você vai entender como funciona a pejotização, o que dizem os tribunais e quais são os principais riscos para quem atua como MEI.


O que é pejotização?

A pejotização ocorre quando uma empresa contrata um trabalhador como pessoa jurídica (CNPJ), em vez de registrá-lo como empregado com carteira assinada.

Na prática, isso significa que o profissional passa a atuar como “empresa”, emitindo notas fiscais pelos serviços prestados.

Essa forma de contratação não é ilegal, desde que exista autonomia real na prestação do serviço.


O que diz a Justiça sobre a pejotização?

O Supremo Tribunal Federal já decidiu que a contratação por pessoa jurídica é válida, desde que não haja fraude na relação de trabalho.

Além disso, o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região tem seguido esse entendimento:
✔️ Reconhece a legalidade quando há autonomia
❌ Reconhece vínculo de emprego quando há características típicas de empregado

Ou seja, o mais importante não é o contrato, mas sim a realidade do dia a dia.


Quando a pejotização pode ser considerada ilegal?

Mesmo com CNPJ ativo, o vínculo de emprego pode ser reconhecido se estiverem presentes os seguintes elementos:

  • Subordinação (receber ordens diretas)
  • Pessoalidade (não poder se fazer substituir)
  • Habitualidade (trabalho contínuo)
  • Onerosidade (recebimento de pagamento)

Se esses requisitos estiverem presentes, a Justiça pode entender que existe uma relação de emprego disfarçada.


Principais riscos para o MEI

Se você trabalha como MEI, fique atento aos sinais de alerta:

  • Trabalhar exclusivamente para uma única empresa
  • Ter horário fixo definido pelo contratante
  • Receber ordens constantes
  • Não poder recusar demandas

Essas situações podem indicar uma contratação irregular.


Quais direitos podem ser reconhecidos?

Caso a pejotização seja considerada ilegal, o trabalhador pode ter direito a:

  • Registro em carteira
  • Férias + 1/3 constitucional
  • 13º salário
  • FGTS
  • Horas extras

Ou seja, mesmo sendo MEI, é possível recuperar direitos trabalhistas na Justiça.


Conclusão

A pejotização não é proibida, mas também não pode ser utilizada para mascarar uma relação de emprego.

O que realmente importa é a forma como o trabalho acontece na prática.

Por isso, tanto empresas quanto trabalhadores devem agir com cautela para evitar problemas futuros e garantir segurança jurídica.


Precisa de orientação jurídica?

Se você é MEI ou empresa e tem dúvidas sobre a legalidade da sua contratação, buscar orientação jurídica é essencial para evitar prejuízos.


Eliani Cristina Cristal Nimer
Advogada

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